Boa noite,
Nos dias 26 e 27 de setembro ocorrerá o II Fórum Estadual do Patrimônio Cultural, realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado - IPHAE. O fórum tem como público técnicos que atuam na área, administradores municipais, Prefeituras, proprietários de bens de valor cultural, estudantes e público em geral.
Local: Auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do RS.
A incrição para estudantes, até o dia 15/09 custa R$50,00.
Informações no Site do IPHAN: www.iphae.rs.gov.br e no da PUC: www.pucrs.br/fau
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Publicada no dia 27 de agosto ( Nº edição 673) na Resvista ISTOÉ DINHEIRO, por Rodolfo Borges.
DINHEIRO – Por que a lei de direitos autorais precisa ser revista?
JUCA FERREIRA – A lei atual não é capaz de garantir o direito do autor. Essa é a maior queixa que o ministério recebe desde que chegamos, em 2003. Os artistas não confiam no sistema de arrecadação desde que o governo Collor acabou com o Conselho Nacional de Direito Autoral. A lei também não tem capacidade de se relacionar com o mundo digital nem com os componentes da economia da cultura. Temos um número recorde de processos na Justiça e uma inadimplência enorme no pagamento dos direitos. Esses são sintomas da falta de legitimidade da lei atual e do sistema de arrecadação. O mundo inteiro está modernizando sua legislação. Não há por que o Brasil ficar parado.
DINHEIRO – O Ecad diz que existem estruturas para tratar dos direitos autorais no Brasil, o que dispensaria a criação do Instituto Nacional do Direito Autoral previsto pelo ministério. Por que precisamos de um instituto?
FERREIRA – Fizemos 80 reuniões setoriais, sete seminários nacionais, um seminário internacional e estudamos a legislação de 20 países. Nesse processo, vimos a necessidade de ter transparência para os autores no sistema de arrecadação e supervisão pública. Aprovada a lei, teremos que discutir como funcionará esse órgão. Acho que deve ser uma instituição ligada à Justiça ou ao Ministério Público. Não somos contra o Ecad, mas contra o sistema atual, que não tem transparência e tem livre arbítrio na coleta das taxas e na distribuição. No ano passado o Ecad arrecadou R$ 380 milhões, sem nenhuma obrigação de transparência para os maiores interessados. A luz do sol não faz mal a ninguém, principalmente se não tem nada errado. Os artistas e criadores é que sairão ganhando.
DINHEIRO – O que o ministério espera das mudanças propostas na modernização da lei?
FERREIRA – Queremos ampliar o acesso à cultura. Queremos nossa economia cultural no mesmo patamar do agronegócio, da indústria e dos serviços tradicionais em menos de uma década. Como ocorre nos Estados Unidos, onde o setor ocupa o segundo lugar na economia, e na Inglaterra, onde é o terceiro. Para isso, temos de ampliar o acesso. No Brasil não se consegue incluir nem 20% dos consumidores em potencial. Os números são escandalosos: só 5% dos brasileiros entraram pelo menos uma vez num museu, apenas 13% vão ao cinema e 17% compram livros. Nós criamos uma economia para poucos e é dela que retiramos o pagamento dos direitos. É preciso democratizar, ampliar esse acesso. O poder aquisitivo do povo está aumentando. O presidente Lula incluiu uma Espanha na economia brasileira. São quase 40 milhões de pessoas. E não chegamos nem à metade.
DINHEIRO – Parte do mercado cultural reclama que, ao priorizar o aumento do acesso, o ministério negligencia a produção de conteúdo. Isso faz sentido?
FERREIRA – É uma falácia. Queremos ampliar o negócio cultural. E isso só se amplia incorporando pessoas. Não é Marx, como eles estão pensando que é, é Adam Smith, o teórico do capitalismo. Para se realizar plenamente, a mercadoria tem de chegar a um número maior de pessoas, cada vez mais. Essas pessoas se acostumaram a uma economia para poucos. O livro no Brasil é o mais caro do mundo. E não se pode nem alegar que é por causa de impostos, pois, no primeiro governo Lula, foram abolidos todos os impostos para o livro, na expectativa de que houvesse barateamento. Mas eles incorporaram ao lucro. É a ideologia do lucro levada a uma irracionalidade.
DINHEIRO – Mas não faltam incentivos para a produção de bens culturais?
FERREIRA – Os investimentos ainda não são suficientes. Não chegamos ao patamar de amadurecimento das políticas ou de recursos suficiente para implementar na escala em que o Brasil precisa. Mas esses que reclamam são os intermediários. Os que lucram com essa economia pequena o fazem em cima do autor e do consumidor. Eles estão com medo dessa ampliação, com medo de abrir a economia, porque terão de competir com outros atores. Mas essa abertura é inevitável. O capitalismo brasileiro está se abrindo, e se eles não tomarem cuidado serão devorados por investimentos de fora. Os espanhóis estão de olho no parque editorial brasileiro. É preciso fortalecer o capitalismo cultural do Brasil, mas não baseado na muleta do Estado.
DINHEIRO – O que o Ministério da Cultura tem feito para aumentar os incentivos?
FERREIRA – O ministério saiu de um orçamento de R$ 287 milhões, em 2003, para R$ 2,5 bilhões. A renúncia fiscal era de menos de R$ 300 milhões; hoje é R$ 1,5 bilhão. Aumentamos os recursos, criamos o PAC das Cidades Históricas, isentamos a cadeia do livro de impostos federais e qualificamos a distribuição dos recursos. Quando chegamos aqui, 3% dos proponentes ficavam com mais da metade do dinheiro do ministério, e 80% dos recursos estavam concentrados dentro do Rio de Janeiro e de São Paulo. Hoje o dinheiro está espalhado pelo País. Botamos mais dinheiro no cinema do que na época da Embrafilme. Além disso, estamos investindo no vale-cultura, um bônus de R$ 50 para o trabalhador, que vai injetar R$ 7 bilhões por ano na economia do setor. O trabalhador vai escolher se quer consumir um CD, um livro, assistir a um filme ou a uma peça de teatro. Estamos migrando de uma cultura baseada em fundo perdido para uma economia sólida, com o consumidor como referência, tendo direito de escolha.
DINHEIRO – O mercado brasileiro está preparado para esta economia de escala?
FERREIRA – Não estamos preparados. Pelo contrário, estamos acomodados numa economia para poucos. Esse é o perigo. O Brasil está crescendo. Há uma demanda cultural enorme. E a digitalização multiplica isso. A tevê digital vai demandar uma quantidade de conteúdos enorme e se não formos capazes de produzir esses conteúdos, eles virão de fora. Aí é o fim da possibilidade de o Brasil ser um grande produtor e um país importante na economia criativa.
DINHEIRO – De que forma a nova legislação favorece o combate à pirataria?
FERREIRA – Ao assumirmos a facilidade de reprodução no digital, nos armamos para realizar plenamente o direito do autor e do investidor. Além disso, essa economia para poucos deixa livros e CDs muito caros, o que estimula a população a recorrer à cópia pirata. Numa economia para muitas pessoas, o preço é menor. Alguma diferença entre o produto original e o pirata permanece, mas ela fica menor.
DINHEIRO – Qual área da indústria criativa merece mais atenção do governo?
FERREIRA – Uma das áreas mais rentáveis da cultura é a animação. O Brasil ainda é precário, está no beabá, apesar de mostrar um potencial criativo enorme. Vários dos filmes que fazem sucesso mundial têm brasileiros em suas equipes. Não temos uma estrutura para formar os artistas, os roteiristas, os técnicos que vão lidar com softwares sofisticadíssimos. O mais difícil nós conseguimos: o compromisso do BNDES de assumir que essa é uma linha industrial que interessa ao Brasil. Temos condições de, em menos de dez anos, estar entre os sete grandes produtores de animação no mundo. É preciso investimento e o Estado está garantindo.
DINHEIRO – Como está a reforma da Lei Rouanet?
FERREIRA – A lei está andando no Congresso, tramitando nas comissões. A grande maioria imediatamente tende a aprovar a mudança, que estimula projetos menores, de caráter regional, com preços mais acessíveis. Os 20 maiores investidores estão apoiando a mudança. A maioria dos artistas é a favor de uma divisão maior dos recursos entre os Estados, inclusive de São Paulo e Rio, porque mesmo nesses locais a distribuição fica concentrada. A Lei Rouanet vai passar, porque é um avanço para toda a cultura brasileira.
DINHEIRO – O projeto de lei deve mudar a partir das contribuições feitas durante a consulta pública?
FERREIRA –Muito. É preciso deixar claríssimo – e o texto ainda não deixa – que a função precípua do direito autoral é garantir o direito do criador, desde que harmonizado com os outros direitos previstos no conjunto de estrutura legal que rege as atividades públicas. O caso da licença não autorizada (que permite a utilização da obra contra a vontade de herdeiros do artista) está consumindo energia grande de alguns, por má intenção. O MoMA, de Nova York, não pôde fazer uma exposição do Volpi porque os herdeiros do artista cobraram um preço exorbitante para a publicação no catálogo. A Bienal Internacional de São Paulo ia fazer uma grande homenagem a Lygia Clark, mas não conseguiu por problemas com os herdeiros. As novas gerações não conhecem Cecília Meireles por questões semelhantes. Essas obras são bens sociais e é um absurdo que as novas gerações sejam privadas disso. A redação do projeto de lei induziu a uma interpretação errada.
Mais informações em: (http://www.istoedinheiro.com.br/entrevistas/32447_TIREI+MARX+E+COLOQUEI+ADAM+SMITH+NO+MERCADO+CULTURAL )
Beijo.
DINHEIRO – Por que a lei de direitos autorais precisa ser revista?
JUCA FERREIRA – A lei atual não é capaz de garantir o direito do autor. Essa é a maior queixa que o ministério recebe desde que chegamos, em 2003. Os artistas não confiam no sistema de arrecadação desde que o governo Collor acabou com o Conselho Nacional de Direito Autoral. A lei também não tem capacidade de se relacionar com o mundo digital nem com os componentes da economia da cultura. Temos um número recorde de processos na Justiça e uma inadimplência enorme no pagamento dos direitos. Esses são sintomas da falta de legitimidade da lei atual e do sistema de arrecadação. O mundo inteiro está modernizando sua legislação. Não há por que o Brasil ficar parado.
DINHEIRO – O Ecad diz que existem estruturas para tratar dos direitos autorais no Brasil, o que dispensaria a criação do Instituto Nacional do Direito Autoral previsto pelo ministério. Por que precisamos de um instituto?
FERREIRA – Fizemos 80 reuniões setoriais, sete seminários nacionais, um seminário internacional e estudamos a legislação de 20 países. Nesse processo, vimos a necessidade de ter transparência para os autores no sistema de arrecadação e supervisão pública. Aprovada a lei, teremos que discutir como funcionará esse órgão. Acho que deve ser uma instituição ligada à Justiça ou ao Ministério Público. Não somos contra o Ecad, mas contra o sistema atual, que não tem transparência e tem livre arbítrio na coleta das taxas e na distribuição. No ano passado o Ecad arrecadou R$ 380 milhões, sem nenhuma obrigação de transparência para os maiores interessados. A luz do sol não faz mal a ninguém, principalmente se não tem nada errado. Os artistas e criadores é que sairão ganhando.
DINHEIRO – O que o ministério espera das mudanças propostas na modernização da lei?
FERREIRA – Queremos ampliar o acesso à cultura. Queremos nossa economia cultural no mesmo patamar do agronegócio, da indústria e dos serviços tradicionais em menos de uma década. Como ocorre nos Estados Unidos, onde o setor ocupa o segundo lugar na economia, e na Inglaterra, onde é o terceiro. Para isso, temos de ampliar o acesso. No Brasil não se consegue incluir nem 20% dos consumidores em potencial. Os números são escandalosos: só 5% dos brasileiros entraram pelo menos uma vez num museu, apenas 13% vão ao cinema e 17% compram livros. Nós criamos uma economia para poucos e é dela que retiramos o pagamento dos direitos. É preciso democratizar, ampliar esse acesso. O poder aquisitivo do povo está aumentando. O presidente Lula incluiu uma Espanha na economia brasileira. São quase 40 milhões de pessoas. E não chegamos nem à metade.
DINHEIRO – Parte do mercado cultural reclama que, ao priorizar o aumento do acesso, o ministério negligencia a produção de conteúdo. Isso faz sentido?
FERREIRA – É uma falácia. Queremos ampliar o negócio cultural. E isso só se amplia incorporando pessoas. Não é Marx, como eles estão pensando que é, é Adam Smith, o teórico do capitalismo. Para se realizar plenamente, a mercadoria tem de chegar a um número maior de pessoas, cada vez mais. Essas pessoas se acostumaram a uma economia para poucos. O livro no Brasil é o mais caro do mundo. E não se pode nem alegar que é por causa de impostos, pois, no primeiro governo Lula, foram abolidos todos os impostos para o livro, na expectativa de que houvesse barateamento. Mas eles incorporaram ao lucro. É a ideologia do lucro levada a uma irracionalidade.
DINHEIRO – Mas não faltam incentivos para a produção de bens culturais?
FERREIRA – Os investimentos ainda não são suficientes. Não chegamos ao patamar de amadurecimento das políticas ou de recursos suficiente para implementar na escala em que o Brasil precisa. Mas esses que reclamam são os intermediários. Os que lucram com essa economia pequena o fazem em cima do autor e do consumidor. Eles estão com medo dessa ampliação, com medo de abrir a economia, porque terão de competir com outros atores. Mas essa abertura é inevitável. O capitalismo brasileiro está se abrindo, e se eles não tomarem cuidado serão devorados por investimentos de fora. Os espanhóis estão de olho no parque editorial brasileiro. É preciso fortalecer o capitalismo cultural do Brasil, mas não baseado na muleta do Estado.
DINHEIRO – O que o Ministério da Cultura tem feito para aumentar os incentivos?
FERREIRA – O ministério saiu de um orçamento de R$ 287 milhões, em 2003, para R$ 2,5 bilhões. A renúncia fiscal era de menos de R$ 300 milhões; hoje é R$ 1,5 bilhão. Aumentamos os recursos, criamos o PAC das Cidades Históricas, isentamos a cadeia do livro de impostos federais e qualificamos a distribuição dos recursos. Quando chegamos aqui, 3% dos proponentes ficavam com mais da metade do dinheiro do ministério, e 80% dos recursos estavam concentrados dentro do Rio de Janeiro e de São Paulo. Hoje o dinheiro está espalhado pelo País. Botamos mais dinheiro no cinema do que na época da Embrafilme. Além disso, estamos investindo no vale-cultura, um bônus de R$ 50 para o trabalhador, que vai injetar R$ 7 bilhões por ano na economia do setor. O trabalhador vai escolher se quer consumir um CD, um livro, assistir a um filme ou a uma peça de teatro. Estamos migrando de uma cultura baseada em fundo perdido para uma economia sólida, com o consumidor como referência, tendo direito de escolha.
DINHEIRO – O mercado brasileiro está preparado para esta economia de escala?
FERREIRA – Não estamos preparados. Pelo contrário, estamos acomodados numa economia para poucos. Esse é o perigo. O Brasil está crescendo. Há uma demanda cultural enorme. E a digitalização multiplica isso. A tevê digital vai demandar uma quantidade de conteúdos enorme e se não formos capazes de produzir esses conteúdos, eles virão de fora. Aí é o fim da possibilidade de o Brasil ser um grande produtor e um país importante na economia criativa.
DINHEIRO – De que forma a nova legislação favorece o combate à pirataria?
FERREIRA – Ao assumirmos a facilidade de reprodução no digital, nos armamos para realizar plenamente o direito do autor e do investidor. Além disso, essa economia para poucos deixa livros e CDs muito caros, o que estimula a população a recorrer à cópia pirata. Numa economia para muitas pessoas, o preço é menor. Alguma diferença entre o produto original e o pirata permanece, mas ela fica menor.
DINHEIRO – Qual área da indústria criativa merece mais atenção do governo?
FERREIRA – Uma das áreas mais rentáveis da cultura é a animação. O Brasil ainda é precário, está no beabá, apesar de mostrar um potencial criativo enorme. Vários dos filmes que fazem sucesso mundial têm brasileiros em suas equipes. Não temos uma estrutura para formar os artistas, os roteiristas, os técnicos que vão lidar com softwares sofisticadíssimos. O mais difícil nós conseguimos: o compromisso do BNDES de assumir que essa é uma linha industrial que interessa ao Brasil. Temos condições de, em menos de dez anos, estar entre os sete grandes produtores de animação no mundo. É preciso investimento e o Estado está garantindo.
DINHEIRO – Como está a reforma da Lei Rouanet?
FERREIRA – A lei está andando no Congresso, tramitando nas comissões. A grande maioria imediatamente tende a aprovar a mudança, que estimula projetos menores, de caráter regional, com preços mais acessíveis. Os 20 maiores investidores estão apoiando a mudança. A maioria dos artistas é a favor de uma divisão maior dos recursos entre os Estados, inclusive de São Paulo e Rio, porque mesmo nesses locais a distribuição fica concentrada. A Lei Rouanet vai passar, porque é um avanço para toda a cultura brasileira.
DINHEIRO – O projeto de lei deve mudar a partir das contribuições feitas durante a consulta pública?
FERREIRA –Muito. É preciso deixar claríssimo – e o texto ainda não deixa – que a função precípua do direito autoral é garantir o direito do criador, desde que harmonizado com os outros direitos previstos no conjunto de estrutura legal que rege as atividades públicas. O caso da licença não autorizada (que permite a utilização da obra contra a vontade de herdeiros do artista) está consumindo energia grande de alguns, por má intenção. O MoMA, de Nova York, não pôde fazer uma exposição do Volpi porque os herdeiros do artista cobraram um preço exorbitante para a publicação no catálogo. A Bienal Internacional de São Paulo ia fazer uma grande homenagem a Lygia Clark, mas não conseguiu por problemas com os herdeiros. As novas gerações não conhecem Cecília Meireles por questões semelhantes. Essas obras são bens sociais e é um absurdo que as novas gerações sejam privadas disso. A redação do projeto de lei induziu a uma interpretação errada.
Mais informações em: (http://www.istoedinheiro.com.br/entrevistas/32447_TIREI+MARX+E+COLOQUEI+ADAM+SMITH+NO+MERCADO+CULTURAL )
Beijo.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
No Blog Acesso encontrei essa entrevista da Gerente de patrocínios da Petrobras, Eliane Costa.
Acesso – O patrocínio cultural é cada vez mais considerado fundamental para o desenvolvimento dos setores público e privado. Como a política de patrocínio deve ser tratada, sob o ponto de vista estratégico?
Eliane Costa – O patrocínio, antes de qualquer coisa, é uma ferramenta de comunicação. Assim, do ponto de vista empresarial, ele deve estar alinhado ao mercado, à relação que o público tem com a marca. Se uma empresa tem como foco a rentabilidade, sua área de patrocínio deve estar voltada a esse objetivo. Por outro lado, uma empresa, que como a Petrobras, tem o compromisso de ser socialmente responsável e de trabalhar para o desenvolvimento da região em que está localizada, sua ação deve levar em conta outros parâmetros.
Acesso – E quais são as diretrizes que norteiam a política de patrocínio da Petrobras?
E.C. – Dificilmente, a Petrobras irá financiar um grande show ou a vinda de um cantor internacional ao Brasil. Buscamos parcerias em projetos de formação e difusão cultural, porque nosso patrocínio deseja trazer ao País retornos na área da responsabilidade social e do desenvolvimento. Para alcançar essa concretização, o programa de patrocínio da Petrobras está alinhado às políticas públicas do Ministério da Cultura, empenhadas em promover a diversidade e o acesso.
Acesso – O que muda para uma empresa que adota uma política de investimento social ou cultura?
E.C. – A empresa agrega valor a sua marca pelo ganho de reputação e não pela simples exibição. As pessoas passam a associar uma marca que busca mais do que rentabilidade a atributos positivos. Hoje, pensar em responsabilidade social, ambiental ou cultural deve fazer parte do planejamento estratégico.
Acesso – A política de patrocínio da Petrobras é considerada a mais importante do País, servindo de exemplo para outras empresas que desejam adotar o sistema. Na sua opinião, ao que se deve esse sucesso?
E.C. – A Petrobras já está na área de patrocínio desde a década de 1980. Acredito que sua atual posição se deva à maturidade adquirida aos longo desses 30 anos. Antes, não tínhamos sequer uma estratégia de patrocínio definida. Agora, nos aproximamos das políticas públicas e desenvolvemos quatro modalidades de patrocínio. Enfim, nos articulamos de forma mais estratégica.
Acesso – Como funcionam essas quatro modalidades de patrocínio?
E.C. – As quatro modalidades são: Seleção Pública, Continuidade, Oportunidade e Ação Petrobras-Ministério. A Seleção Pública está voltada à democratização do acesso à cultura e à valorização da diversidade étnica e regional. Buscamos projetos que não seriam realizados se não fosse o edital.
A Continuidade está mais relacionada à marca. Selecionamos ações culturais que têm atributos que desejamos ver associados à marca, como a Orquestra Petrobras Sinfônica, o Grupo Corpo e o Festival de Gramado. Esses projetos podem até chegar à Petrobras via seleção pública mas, quando renovados, obedecem a outro regime.
A Oportunidade é a área que seleciona projetos ao longo do ano, dependendo da situação financeira da empresa e da necessidade de fixação da marca em determinada região. Assim, selecionamos internamente, ao longo do ano, projetos que chegam à Petrobras e atendem a essa demanda.
Por fim, temos a Ação Patrobras-Ministério, que são projetos demandados pelo próprio ministro da cultura para a intensificação de algumas áreas das políticas públicas.
A Continuidade está mais relacionada à marca. Selecionamos ações culturais que têm atributos que desejamos ver associados à marca, como a Orquestra Petrobras Sinfônica, o Grupo Corpo e o Festival de Gramado. Esses projetos podem até chegar à Petrobras via seleção pública mas, quando renovados, obedecem a outro regime.
A Oportunidade é a área que seleciona projetos ao longo do ano, dependendo da situação financeira da empresa e da necessidade de fixação da marca em determinada região. Assim, selecionamos internamente, ao longo do ano, projetos que chegam à Petrobras e atendem a essa demanda.
Por fim, temos a Ação Patrobras-Ministério, que são projetos demandados pelo próprio ministro da cultura para a intensificação de algumas áreas das políticas públicas.
Acesso – Voltando à seleção pública, você acha que os editais contribuem para a democratização do acesso ao patrocínio?
E.C. – Sem dúvida. É na seleção pública que escolhemos projetos exclusivamente por seu merecimento, por sua contribuição para o desenvolvimento da sociedade.
Acesso – Com relação ao processo de seleção pública da Petrobras, novas áreas e elementos são introduzidos ou redefinidos a cada edição? Como acontece esse processo?
E.C. – Há dois anos, não fazemos modificações. As duas últimas foram a inclusão das áreas de circo, em artes cênicas, e de cultura digital. Essas modificações acontecem quando precebemos que há uma lacuna na sociedade, que existe uma área cultural que necessita de maior visibilidade. Porém, precisamos considerar uma série de questões antes de introduzir um elemento novo: é preciso que as áreas estejam mais amadurecidas, que as pessoas se habituem a elas e que o número de projetos inscritos seja considerável. As modificações acontecem de forma estratégica, sempre que julgamos pertinentes.
Acesso – Pensando em resultados, é possível mensurar o retorno do patrocínio? Quais as métricas utilizadas pela Petrobras?
E.C. – Essa é uma questão que permeia, inclusive, a área acadêmica. Por exemplo, a Petrobrás, não possui um recall. Não é possível saber se a visão da marca em determinada região melhorou por conta do patrocínio, de publicações, ou de algum outro fato. Então, é difícil mensurar o quanto o patrocínio contribuiu para um efetivo ganho da empresa. Hoje, a ferramenta que usamos aqui é o Metricom. Ela traça um comparativo entre a expectativa do gestor cultural antes da realização do projeto e os resultados após sua conclusão. Porém, iniciamos o uso da ferramenta agora e só poderemos avaliar sua validade daqui a alguns anos.
Fonte: <http://www.blogacesso.com.br/?p=3172>
No Acesso - O Blog da democratização da cultura, além de várias outras entrevistas interessantes, vocês encontram vários artigos sobre acesso a cultura, cadeia de profissionalização da cultura, arte eletrônica e cibercultura, entre outros.
Abraço.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
O link abaixo refere-se à reunião que se realizou hoje (19/08/2010) em São Paulo, no auditório do Museu de Arte de São Paulo (MASP), com Gestores Culturais de importantes instituições paulistas e representantes do Ministério da Cultura, que debateram sobre ações e discutiram os novos rumos da gestão cultural brasileira.
http://www.cultura.gov.br/site/2010/08/19/lda-novos-rumos/
O outro link abaixo refere-se à Consulta Pública Para Modernização Da Lei De Direito Autoral. Estão agendados três eventos para aperfeiçoar a proposta e debater o assunto, em Brasília: (19/08 Seminário Palmares, também no dia 19/08 Tenda Jovem- Roda de Conversa: Cultura e Direito Autoral e no dia 20/08 Reunião Associação Nacional Dos Editores de Revistas).
http://www.cultura.gov.br/consultadireitoautoral/
O último link é do texto GESTÃO CULTURAL- PROFISSÃO EM FORMAÇÃO da autora Maria Helena Cunha, sugerido por Jenni em um comentário que fez em uma postagem anterior.
http://www.gestaocultural.org/gc/es/pdf/BGC_AsocGC_MHCunha.pdf
Abraço!
http://www.cultura.gov.br/site/2010/08/19/lda-novos-rumos/
O outro link abaixo refere-se à Consulta Pública Para Modernização Da Lei De Direito Autoral. Estão agendados três eventos para aperfeiçoar a proposta e debater o assunto, em Brasília: (19/08 Seminário Palmares, também no dia 19/08 Tenda Jovem- Roda de Conversa: Cultura e Direito Autoral e no dia 20/08 Reunião Associação Nacional Dos Editores de Revistas).
http://www.cultura.gov.br/consultadireitoautoral/
O último link é do texto GESTÃO CULTURAL- PROFISSÃO EM FORMAÇÃO da autora Maria Helena Cunha, sugerido por Jenni em um comentário que fez em uma postagem anterior.
http://www.gestaocultural.org/gc/es/pdf/BGC_AsocGC_MHCunha.pdf
Abraço!
Bom dia.
Entre os dias 23 e 25 de agosto, na Unisinos, ocorrerá um seminário
sobre Direito Autoral, entitulado: "Direito, Arte e Tecnologia: Rumos do Direito Autoral na Sociedade da Informação".
A proposta deste é proporcionar uma visão crítica sobre o tema, discutir a legislação vigente, além de repensar o impacto da internet e das novas tecnologias nesta área do Direito.
O valor para a comunidade externa é de R$40,00.
Carga horária: 27 h.
Há fornecimento de certificado.
A programação do evento e mais informações estão
no site da Unisinos:
http://www.unisinos.br/eventos/index.php?option=com_content&task=view&id=52&Itemid=116&modulo=verCurso&class_nbr=5774&strm=0585&tipo=NAO&aba=1
Abraço!
Entre os dias 23 e 25 de agosto, na Unisinos, ocorrerá um seminário
sobre Direito Autoral, entitulado: "Direito, Arte e Tecnologia: Rumos do Direito Autoral na Sociedade da Informação".
A proposta deste é proporcionar uma visão crítica sobre o tema, discutir a legislação vigente, além de repensar o impacto da internet e das novas tecnologias nesta área do Direito.
O valor para a comunidade externa é de R$40,00.
Carga horária: 27 h.
Há fornecimento de certificado.
A programação do evento e mais informações estão
no site da Unisinos:
http://www.unisinos.br/eventos/index.php?option=com_content&task=view&id=52&Itemid=116&modulo=verCurso&class_nbr=5774&strm=0585&tipo=NAO&aba=1
Abraço!
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Vim aqui divulgar o blog donosso colega Geisson!!
Link: http://butiquimdasartes.blogspot.com/
Abraço.
Link: http://butiquimdasartes.blogspot.com/
Abraço.
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