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Graduanda em Produção Cultural pela Universidade Cândido Mendes. Atua como produtora executiva e foi diretora artística do Teatro Municipal de Niterói, coordenadora geral dos projetos da Secretaria de Cultura, Subsecretária de Cultura, Presidente da Fundação de Arte, diretora do Teatro Popular e Secretária de Cultura de Niterói (2008). Atualmente trabalha com sua empresa, Mosaico Cultural, como consultora em gestão cultural e é diretora executiva da Associação Brasileira de Gestores Culturais.
GC: Quando você começou a atuar como gestora cultural?
Marilda: A partir de 1998, como gestora cultural e, a partir de 2003, como gestora pública cultural.
GC: Quais os principais desafios da profissão?
Marilda: Como gestora pública (PMN), sinto que o principal desafio é conseguir manter uma equipe séria e comprometida durante todo o processo (pré, pro, e pós produção) de determinado projeto cultural. É com esta equipe que vou traçar planos para o desenvolvimento de políticas públicas que estejam comprometidas com os desejos e necessidades do local onde trabalho. Como gestora cultural (Mosaico), gerenciar uma equipe com participação coletiva é meu maior desafio. Outros desafios nessa área: criar projetos importantes em acordo com as necessidades, desejos e expectativas de quem vai usufruí-lo, planejar detalhadamente todas as etapas do trabalho, definir as funções em acordo com os talentos e criar ferramentas para acompanhamento do movimento de cada projeto. Ex: planilhas orçamentárias, cronograma de atividades, formulários de pesquisa, etc.
GC: Como você vê o mercado profissional para os gestores culturais?
Marilda: Bom, promissor. É um mercado que está se desenvolvendo “oficialmente” a não mais de 15 anos, quando os primeiros cursos universitários de produção cultural começaram (UFF, Universidade da Bahia, Universidade Cândido Mendes...). De lá pra cá, percebo o crescimento da credibilidade em nossa área, apesar de faltar muito tempo para o entendimento, por parte do produtor (principalmente) e do gestor, de que “no final, toda produção dá certo, não importando muito o planejamento”. Destaco aí o trabalho dos pesquisadores na Economia da Cultura, que veio comprovar a importância numérica de nosso trabalho e, consequentemente, a valorização da área cultural.
GC: Você acha importante que haja cursos de formação na área? Por quê?
Marilda: Acho indispensável. Porque o profissional deve ser qualificado, de forma a eliminar a cultura de que qualquer um pode fazer produção e gestão, de forma intuitiva. O conhecimento adquirido na universidade vai facilitar a prática da execução de ações e criar profissionais diferenciados, ocasionando maior credibilidade à profissão.
GC: O que faz o gestor cultural?
Marilda: Ele coordena: se abastece, substancialmente, do conteúdo necessário ao projeto que está por desenvolver e, junto com sua equipe, planeja, coordena, controla todos os processos, analisa relatórios recebidos, avalia os resultados (principalmente os negativos), e se prepara para a coordenação de um novo projeto. Gostaria de terminar, destacando a importância da fase de pré-produção e pós-produção de quaisquer ações. Se a elas nos dedicarmos com maior afinco, a fase da produção acontece de forma leve, sem estresses, sob controle, pois todas as possibilidades de erro foram bem analisadas na pré, restando para pós, além dos agradecimentos à equipe e ao cliente, o planejamento para novos desafios.
Esta entrevista foi gentilmente concedida para os alunos do Curso de Gestão Cultural do IFSUL/Campus Sapucaia do Sul.
No Brasil os termos Produção Cultural e Gestão Cultural tendem a cobrir a mesma área de atuação. A tendência, no entanto, é a consolidação do nome Gestão Cultural. Há também os que preferem o termo Administração Cultural. Aqui no Blog você encontrará referências a todas essas designações, o importante é tomar conhecimento do que faz o profissional que opta por trabalhar com cultura utilizando ferramentas gerenciais. Esse é o nosso enfoque. Boas leituras! A seguir reproduzimos o texto do Guia de Profissões Meganize sobre Produção Cultural.
O QUE É PRODUÇÃO CULTURAL
Eles podem estar num megashow de rock, numa feira internacional de livros ou num festival de teatro? Diversão? Não. Trabalho duro, sem hora para começar ou para terminar. É assim a vida de um produtor cultural. O que para a maioria é lazer para esses profissionais é meio de vida.
O objetivo do curso não é formar artistas, mas profissionais que viabilizem a cultura. Seja uma produção glamourosa ou pequena, a especialidade desse produtor é elaborar, organizar e executar projetos ou eventos e, ainda, administrar espaços culturais.
Especialistas dizem que esta carreira ganhou impulso nos anos 1990, quando mudaram as leis de incentivo à cultura. Na época foram criados novos centros culturais no país e mais municípios perceberam a importância de equipar suas secretarias de cultura.
O QUE FAZ O PRODUTOR CULTURAL
O produtor pode, portanto, trabalhar em secretarias estaduais e municipais, com a missão de realizar projetos voltados para o entretenimento da população e para incrementar o turismo; em departamentos de marketing e comunicação de empresas públicas e privadas, avaliando e executando projetos que podem contribuir para a imagem da instituição; em ONGs e centros comunitários, lidando com a cultura como forma de inclusão social; ou, ainda, em seus próprios escritórios, procurando financiamento e viabilizando projetos de terceiros.
Na montagem de uma exposição, por exemplo, é o produtor que contrata artistas, planeja orçamento, contrata iluminadores, montadores, divulgadores, providencia infraestrutura, dá suporte ao curador, elabora relatórios. Em geral, esse trabalho é feito em equipes.
O QUE PRECISA CONHECER
Saber inglês e espanhol é importante, até para trazer atrações internacionais para o país ou levar artistas brasileiros para o exterior. Ainda na faculdade é importante que o aluno faça cursos de gestão cultural e pesquise sobre a lei de incentivo à cultura e sobre como obter parcerias. A carga horária é de 20 horas semanais em empresas e órgãos públicos. Em escritórios varia de acordo com os clientes. Mas, para realizar um evento, qualquer produtor cultural pode trabalhar 15 horas por dia ou até virar noites.
O produtor cultural não pode apenas gostar de música, artes plásticas, teatro, etc. Tem que também saber lidar com finanças, orçamentos e entender de leis, especialmente às de incentivo à cultura. Deve ainda estar preparado para “vender” projetos em empresas e, para isso, precisa se comunicar muito bem.
Quer saber sobre mercado de trabalho, salários e desafios dessa profissão acesse o texto completo em Google Livros Guia de Profissões Megazine.
Música
A onda das versões
Compositores brasileiros retomam a tradição de adaptar letras de sucessos estrangeiros. Há uma nova e boa safra para se ouvir
Ivan Cláudio, Revista Isto É
No Brasil tem-se a tradição de se fazer versões de músicas estrangeiras. Na era do rádio, nos anos 1940, o compositor Haroldo Barbosa abastecia Francisco Alves com letras espirituosas. Chegou a assinar mais de 500 versões. Aí veio a jovem guarda, na década de 1960, e a moda voltou: até o refrão "iê, iê, iê" saiu do beatlemaníaco "yeah, yeah, yeah". Mesmo compositores que fizeram fama por versos literários, como Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, não resistiram à tentação.
Um dos maiores sucessos de Gil é, aliás, uma versão: "Não Chore Mais" ("No Woman, no Cry", de Bob Marley), que vendeu 750 mil cópias. É uma das melhores adaptações já feitas. Outras acabam de chegar às lojas. No CD "Pelo Sabor do Gesto", Zélia Duncan assina duas ótimas letras em português para canções do francês Alex Beaupain. Com 13 clássicos da canção americana, compostos por músicos judeus, o CD "Nego" traz impecáveis versos refeitos pelo compositor Carlos Rennó. O time de intérpretes faz jus às músicas: Gal Costa, João Bosco e Erasmo Carlos, entre outros.
Rennó defende as traduções que respeitam não apenas o sentido, mas até a métrica e as aliterações do original. "Dá um trabalho do cão. Às vezes, passo a madrugada inteira para escrever um versinho." A letra de "Encantada" ("Bewitched, Bothered and Bewildered", de Rodgers/ Hart), gravada no disco por Maria Rita, reproduz mesmo as rimas atípicas, que acontecem num termo anterior ao do final do verso. "Se for para fazer letra diferente do original, chamo um parceiro e faço outra canção", diz ele. Existem os que optam por essa receita e, ainda assim, conseguem bons resultados. Caso de Nelson Motta, que se afastou bastante da canção napolitana "E Po Che Fá" (de Pino Daniele) em "Bem Que se Quis", sucesso de Marisa Monte: "Há momentos em que a gente tem sorte e as palavras em português cabem perfeitamente, parecendo que sempre estiveram ali."
As traições ficam evidentes quando os versionistas "viajam" no som das palavras e se distanciam totalmente do sentido da canção matriz. Seu Jorge, por exemplo, fez isso no disco originado de clássicos de David Bowie. O refrão de "Rebel, Rebel", ("rebelde, rebelde, como eles poderiam saber") virou uma coisa maluca e sem sentido: "zero a zero, você venceu". Muitas vezes as editoras dos músicos estrangeiros fazem vista grossa para essas liberdades. Mas não é a regra. Há oito anos, quando preparava o CD com repertório dos Beatles, Rita Lee teve seis letras recusadas, entre elas "O Amor é Tão Clichê" ("I Want to Hold Your Hands"). Só agora, no CD "Multishow ao Vivo", conseguiu gravar "O Bode e a Cabra", recriação absurda da mesma canção dos Beatles, dos tempos da jovem guarda.
O caminho oposto (ser muito literal) facilita na hora da negociação, mas pode cair na armadilha da fidelidade exagerada, especialmente em versões feitas do inglês, língua mais sintética que o português. Isso acontece em algumas faixas do CD "Tá Tudo Mudado", que Zé Ramalho dedicou à obra de Bob Dylan. Mas, mesmo quando incorporou elementos alheios ao universo do americano, como referências ao filme "Tropa de Elite" e ao músico Jackson do Pandeiro, ele não teve recusas. Só não conseguiu um bom contrato: 100% dos direitos autorais vão para Dylan. "Eu fiquei apenas com os royalties fonográficos (as vendas do CD)", diz Ramalho. "Era pegar ou largar." Zélia Duncan também não ganha nada pelas ótimas versões. "Acho um absurdo que não haja um acordo. O versionista é um parceiro do autor da música."
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